segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sem o madrugadão

Sobrou para eles

Pessoas que usavam o ônibus, de madrugada, para voltar do trabalho já refazem as contas e o orçamento para pagar mais pelo transporte de táxi ou mototáxi

Passava da uma da manhã quando Sulamita Vizintanhe, 21 anos, guardou o avental e deixou o restaurante onde trabalha, na Via Gastronômica de Joinville, na terça-feira passada. Era o primeiro dia desde que ela começou a trabalhar em que não poderia pegar o ônibus à 1h30. Sulamita costumava pegar a linha 1408 (Centro/Itinga), mas desde segunda-feira da semana passada não conta mais com o transporte público especial, conhecido como madrugadão. As 11 linhas que circulavam à 1h30 entre domingo e quinta-feira foram extintas e dez linhas continuam na sexta e sábado, mas apenas à 1h30. Antes, elas circulavam às 2h30 e 3h30 nestes dias, cobrindo de hora em hora a madrugada joinvilense. A linha 247 (Costa e Silva/Centro) foi cancelada totalmente.

A redução do madrugadão afetou diretamente quem trabalha em bares, restaurantes, hotéis e casas noturnas. Agora, eles precisam encontrar outras formas de voltar para casa. Sulamita, que mora no bairro Floresta, precisaria esperar até as 4h23, quando sai o primeiro ônibus da manhã. Ela optou por ir para casa a pé, mas a decisão quase custou caro para ela. Numa das noites, ela foi abordada por um homem em um carro que tentou convencê-la a pegar carona. Ele tentou obrigá-la a entrar no veículo. Por sorte, uma viatura da Polícia Civil passou no local. Instintivamente, Sulamita levantou o braço. “O policial que dirigia a viatura disse que eu tive muita sorte. Foi por pouco que ele não me viu sinalizar e conseguiu parar e perguntar o que acontecia”, relata aliviada.

Como Sulamita, há dezenas de passageiros desassistidos. “AN” reuniu 13 deles (veja quadro). Segundo a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), as linhas foram desativadas por que não havia demanda que garantisse a manutenção do serviço. A justificativa não agradou aos passageiros.

O garçom Eduardo Soares Barreto, 29 anos, é um deles. Eduardo ficou sabendo do cancelamento um dia antes do madrugadão parar de rodar, ao ver um cartaz no Terminal Central e por isso foi um dos poucos a não ser pego de surpresa. “No meu ônibus sempre tinha bastante gente, isso dependia do dia. O normal era ter de 15 a 18 passageiros”, afirma ele, que pegava a linha 1405 (Centro/Escolinha). Ela fazia a cobertura dos bairros Escolinha e Profipo, por isso era comum um número de passageiros maior. “Com certeza, eu nunca peguei o ônibus sozinho, como único passageiro”, avisa.

claudia.morriesen@an.com.br

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