sábado, 14 de março de 2009

Sobre a reunião com o prefeito

Representei (Felipe) o Dacs na reunião da Frente de Luta pelo Transporte Coletivo com o prefeito Carlito Merss. Eis a análise da reunião:

Apesar de o prefeito ter firmado um compromisso de discussão do tema, ficou claro que a pressão pelo aumento é grande e que a pressão popular ainda é muito fraca. Ficou evidente na fala dele que há uma pressão por parte de empresários e lojistas para não haver o aumento e que ela é bem relevante. Enquanto não houver participação popular de verdade - pessoas tomando as ruas, passeatas, paralisações, atos públicos -, vai ser fácil para que o Executivo aprove o aumento.


Na reunião, o estudante de história Felipe Rodrigues representou os estudantes universitários, lendo um texto que contou com nossa colaboração, que segue abaixo:

Representação do Movimento Estudantil Universitário

A Constituição Brasileira garante direito ao acesso e a permanência à educação, colocando como responsáveis para tanto a família e o Estado. Em nosso caso específico – educação superior em Joinville –, existem vários pontos a se debater. São milhares os estudantes universitários da cidade, que se distribuem, basicamente, em escolas na região central e no bairro Bom retiro. Estes mesmos estudantes residem nos mais diversos bairros e regiões da cidade, e, não é necessário citar, que a grande maioria também são trabalhadores, assim como não possuem meio de transporte individual mais viável. Ou seja, os estudantes trabalham para pagar os estudos e a condução, que muitas vezes não se limita a uma ida e uma volta diária.

Partindo deste quadro, o Poder Público Municipal não tem realizado as suas atribuições no incentivo aos estudantes da cidade. Na Univille, por exemplo, há anos que as verbas destinadas às bolsas de estudo não são repassadas. Outro agravante: neste início de ano, a oferta de bolsas caiu pela metade, enquanto a demanda quase dobrou. Foram mais de 3300 inscritos, para apenas pouco mais de 1500 bolsas. Ou seja, centenas de estudantes com nível de carência ficaram sem o auxílio de desconto na mensalidade; muitos destes, não tiveram condições, inclusive, de dar continuidade aos estudos, e, quando conseguem, enfrentaram diversos problemas para se matricular.

Na Associação Bom Jesus/Ielusc – guardadas as devidas proporções –, a situação é semelhante. São poucos os programas de bolsas de ensino e a mensalidade é pesada demais para ser paga por famílias pertecentes à classe C. Apesar da aparências, a grande maioria dos estudantes do curso de Comunicação Social do Bom Jesus não são filhos da alta sociedade joinvilense. A maioria precisa pegar ônibus ou se arriscar de bicicleta nos horários de pico. São estudantes de todas as regiões da cidade, que utilizam o transporte coletivo de segunda a sábado.

Na maior cidade do estado, temos uma das tarifas mais caras de Santa Catarina e do Brasil. Isso não seria um indício de que o atual sistema de transporte coletivo não funciona? Ou seja, de que o sistema precisa ser revisto, já que não cumpre sua função social?

Existem exemplos em Santa Catarina e no Brasil, de políticas de transporte que atendem às necessidades dos estudantes com o passe livre sem cobrar a mais de outras categorias de usuários. Qual a mágica situação de nossa “Manchester” que não deixa esse benefício chegar aos nossos estudantes?

Muitos são os cortes de custo das empresas monopolizadoras nestes últimos meses e anos: demissão dos cobradores, criação dos diversos corredores de ônibus, diminuição de linhas, extinção do Pega Fácil e do Linha Direta etc. As empresas alegam que muitas dessas ações surgiram com o argumento de não aumento. Sendo assim, os estudantes devem simplesmente esquecer tais fatos e se resignar ao sistema falido?

Nosso objetivo é o diálogo. Para isso, pensamos que o interessante seria uma pesquisa de campo, por parte do representante eleito do povo. Assim, recomendamos que o Prefeito se aventure em tentar embarcar na linha Campus Universitário/ Centro/Norte ou Iririú, por volta das 22:30, em um dia de chuva. Dessa forma, talvez seja possível traçar uma linha da qualidade do serviço prestado aos estudantes com relação à quantidade de ônibus, distância e tamanho do ponto. Obviamente, por se tratar do representante do povo, cremos que sua avaliação será a mesma que a de todos os que utilizam o serviço de transporte público nas condições citadas: que o sistema não funciona, mesmo sendo uma das tarifas mais caras. Quem sabe assim, na base da sensibilização, a classe estudantil da cidade comece a ser respeitada e suas necessidades, interesses e direitos assegurados.

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