sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sem decorações verdes

O curso de Comunicação Social não será incorporado à Univille. Assim abro a matéria que desde o começo tinha como intenção informar os acadêmicos sobre os novos passos da parceria entre Bom Jesus/Ielusc e Univille. Infelizmente percebi uma incoerência nas entrevistas do reitor Paulo Ivo Koehntopp e do diretor Tito Lívio Lermen. Suspeitando dessa falha de comunicação interna, a coordenação da Revi decidiu, como procedimento padrão da profissão, checar a veracidade das informações apresentadas pelo reitor. Infelizmente foi confirmada a falha de comunicação interna da reitoria e, para não expor o descuido da universidade, o diretor Tito Lermen e o reitor Paulo Ivo resolveram não aceitar a publicação dessa matéria na revista eletrônica. Acho importante repassar os dados das entrevistas, até mesmo porque não há nenhuma informação prejudicial às instituições. Em nenhum momento pretendi ludibriar os estudantes, segue então a matéria original com os dados até então apurados.



Bom Jesus/Ielusc e Univille criam atividades em conjunto


Durante o primeiro semestre de 2009 uma série de especulações sobre a parceria entre Bom Jesus/Ielusc e Univille ganharam consistência nos corredores dessas instituições. Embora a coordenação do curso de comunicação social sempre tenha colaborado com sugestões e documentos, os primeiros debates sobre o assunto aconteceram em “reuniões de cúpula”, explicou o atual coordenador de jornalismo Silvio Melatti. Esse excesso de precaução da alta gestão formada pelo reitor Paulo Ivo Koehntopp da Univille e o diretor Tito Lívio Lermen do Ielusc gerou, para professores e alunos, dúvidas sobre o futuro do curso de Comunicação Social e, claro, sobre as reais intenções dessa possível união. No dia 13 de agosto, porém, uma nova reunião foi realizada com a presença de uma comissão de professores do Ielusc e de um grupo de profissionais da Univille. Foram debatidas novas estratégias para o projeto, mas essas mudanças não foram repassadas ao reitor Paulo Ivo.


Assim como era no princípio...

A parceria segue um termo de contribuição que foi assinado em 19 de setembro de 2008. As instituições estabeleceram que toda nova atividade ou ação desse convênio deve ser elaborada através de processos aditivos e contratos de comodatos. Na visão do diretor geral, Tito Lívio Lermen, o curso de Comunicação Social foi escolhido para fazer a parceria “caminhar rapidamente”. O pastor afirmou que no início a intenção era realmente dividir a gestão do curso, mas nesse momento ele se sentiu “um pouco inseguro”. De acordo com o diretor, as diferentes práticas e culturas de ensino fizeram com que as negociações começassem novamente. Antes de concluir a parceria e dividir a gestão, notou-se a necessidade de avaliar e planejar o assunto de forma mais consistente. Foram discutidas, então, as questões financeiras, técnicas e trabalhistas dessa possível união. Entre outros processos legais, os órgãos normativos da educação do país não permitem simplesmente unir as faculdades, explicou o pastor.


Palpável

A primeira ação conjunta foi o vestibular de 2009 e o primeiro termo aditivo foi produzido no dia 10 de fevereiro de 2009. De acordo com o termo, as faculdades passaram a compartilhar o acervo de suas bibliotecas. Foi estabelecido que cada instituição poderia emprestar até dez livros da outra. O sistema está funcionando desde fevereiro. A disponibilidade do material é verificada através dos sites das respectivas bibliotecas. O material é entregue por um motoboy e as normas de devolução são as mesmas para os acadêmicos de ambas as instituições. Apesar de a iniciativa estar funcionando, ainda não é possível um estudante do Bom Jesus, por exemplo, solicitar diretamente um material na biblioteca universitária. A negociação está sobre responsabilidade exclusiva das bibliotecárias Maria da Luz Machado (Ielusc) e Karyn Munik Lehmkuhl (Univille). Segundo Maria, já foi cogitado em reuniões com a direção essa possibilidade, mas por enquanto isso não é possível, pois existem diferenças entre as estruturas das faculdades, como nos sistemas de informática utilizados. A bibliotecária também ressaltou que essa mudança ainda não é necessária, pois, a demanda de empréstimo não ultrapassa o limite de dez livros determinado pelo termo aditivo.



Os boatos e as iniciativas


Na primeira reunião do conselho de professores, que ocorreu na primeira semana das férias de julho, os professores souberam que o próximo vestibular para o curso de comunicação social já seria feito com a gestão dividida entre Bom Jesus/Ielusc e Univille. Sem informações concretas e com dúvidas, os professores do Bom Jesus resolveram se articular. Sônia Regina de Oliveira coordenadora de Publicidade e Propaganda comentou ter ouvido que na Univille já se discutia o setor onde o curso de comunicação seria instalado. A coordenadora afirmou que a intenção do corpo docente é garantir um projeto político-pedagógico de qualidade. Uma simples incorporação não asseguraria esses valores. Para ela, além de possuírem dimensões diferentes, as duas instituições usufruem de culturas organizacionais incompatíveis.

Preocupados com a manutenção do curso, uma comissão formada pelos professores e coordenadores do Ielusc se uniu para elaborar sugestões que permeiam essa parceria. Gleber Pieniz, Juliana Bonfante, Luis Fernando Assunção, Maria Elisa Máximo, Sílvio Luiz Melatti e Sônia Regina redigiram um documento com sugestões para auxiliar o diálogo entre as duas instituições. Entre as reivindicações desses professores, estava pautada a necessidade da Univille formar um grupo com os mesmos moldes para interagirem no debate. Foi sugerida a criação de novos cursos, como de pós-graduação e, também, mudanças no compartilhamento das bibliotecas, visando à possibilidade de alunos e professores transitarem nesses locais e utilizarem livremente seus materiais.


A comissão pretendia explorar a possibilidade de, através da parceria, manter dois cursos de comunicação social. Um no período matutino, de responsabilidade da Univille e, outro, que continuaria sob gestão do Ielusc. Os laboratórios do Bom Jesus seriam utilizados pelos acadêmicos da Univille, já que a universidade não possui uma infra-estrutura especializada em comunicação. Silvio Melatti, coordenador do curso de Jornalismo, compreende que essa seria uma boa medida para ambas as instituições. A utilização dos laboratórios do Ielusc, “estrutura ociosa durante o dia”, comentou Silvio, e a edição da revista Rastros com o selo da Univille são exemplos de atitudes que, segundo Melatti, favoreceriam as duas entidades. O coordenador salientou que o Ielusc possui um histórico de ex-acadêmicos bem empregos no mercado e um conceito de qualidade reconhecido pelo Mec. A partir desses fatores, a comissão reconheceu que não haveria como aceitar uma incorporação sem debater os temas sugeridos.

Na última reunião das férias, porém, o pastor Tito informou que a reitoria da Univille admitiu não haver mercado para dois cursos de comunicação na cidade. Sendo assim, o clima de boatos esfriou. Outro fato observado por Silvio Melatti é que, até então, nem a Puc (Pontifícia Universidade Católica) e nem a Anhanguera se manifestaram realmente no que diz respeito a abrir novos curso de comunicação em Joinville. “Geralmente quando um curso se instala em uma cidade menor, os professores dessa área são sondados, e até agora não recebemos nenhuma informação sobre isso”, reconheceu. As propostas elaboradas pelos professores do Ielusc e enviadas ao Pastor Tito, seriam, mais tarde, discutidas na reunião do dia 13 de agosto. Nesse novo debate estavam presentes, além da comissão do Bom Jesus, a pró-reitora Ilanil Coelho, o professor Alexandre Cidral, a coordenadora de vestibular Silvia Matos e o gerente de Marketing Silvio Simon, todos funcionários da Univille.

De acordo com Maria Elisa Máximo, o plano de ações elaborado pelos professores perdeu um pouco de sentido visto que, a Univille não pretende abrir um curso próprio de comunicação social. A professora explicou que a primeira prerrogativa da comissão ielusquiana foi incentivar a universidade a compor um grupo de professores para debater o tema, no entanto, as pessoas que formam essa outra comissão estão ligadas aos departamentos administrativos da Univille. Maria Elisa reconhece que, nessa última reunião do dia 13 de agosto, pela primeira vez, os professores tiveram contato direto com as propostas da reitoria, até então, todas as informações recebidas haviam sido mediadas, de alguma forma, pela hierarquia da instituição luterana.


Sobre o dia 13 de agosto

A ideia de dividir a gestão do curso de comunicação nem foi cogitada na reunião, explicou a professora Maria Elisa. De acordo com as sugestões enviadas pelo Bom Jesus, as comissões estabeleceram novas metas como imprimir a revista Rastros na Univille, criar cursos de extensão, elaborar pesquisas acadêmicas e produzir revistas com artigos produzidos pelos estudantes. Também foi cogitada a elaboração de um curso superior de Relações Públicas dentro da área de comunicação social. Mas o objetivo mais discutido tratou da criação de uma emissora de rádio e TV. Esse projeto contaria com os direitos de concessão da universidade e a atuação técnica dos profissionais e acadêmicos do Ielusc.

De acordo com o professor e coordenador do núcleo de pesquisas do Bom Jesus, Leandro Otto Hofstätter, a intenção é futuramente produzir uma programação para rádio e TV na Web. Obtendo assim, um know how para suprir a demanda de conteúdo após a concessão. Para ele, está na hora das duas faculdades, com “perfil comunitário”, desfrutarem desses direitos e, para isso, Leandro comenta que Tito e Paulo Ivo já estão entrando em contato com o prefeito Carlito Merss e a senadora Ideli Salvatti. “Nesses assuntos de concessão é preciso ter calibre político”, reconheceu. Esse processo de instalar a rádio e TV na Web ainda continua no campo da análise, pois, depende da atualização dos laboratórios e de um estudo de custos, já que a instituição precisará de bolsistas e professores. Ou seja, sobre a parceria, de concreto mesmo, sabe-se que as bibliotecas continuarão compartilhando livros através de um motoboy e que, pelo menos em 2010 o Bom Jesus não receberá nenhuma decoração verde.


O mal entendido


Embora diretor e reitor parecessem não falar a mesma língua, as instituições seguirão com as novas atividades e não dividirão a gestão do curso.

No dia 14 de agosto o pastor disse à Revista Eletrônica que o ensino superior no Brasil vive um momento em que é necessário fazer parcerias para investir na educação sem deixar uma marca se tornar superior à outra. O pastor concluiu que esses debates são lentos, pois começam na alta gestão (reitores e diretores) e depois precisam passar pela “estrutura de ensino”, como coordenações e corpo docente. Nesse momento surgiram ruídos que, fizeram o cacique do Bom Jesus puxar o barco e reiniciar o debate. De acordo com o pastor, nesse novo contexto de metas, foi cogitada inclusive, a possibilidade de se criar um curso de Tecnólogo em Oftálmica, unindo o núcleo de enfermagem do Ielusc e o de medicina da Univille. Foi falado também, sobre a inauguração de uma unidade de ensino médio do Bom Jesus no campus da Univille de São Francisco do Sul. Para isso, revelou Tito, as direções já tomaram algumas providências como conversar com a prefeitura da cidade.

Tendo em vista as novas propostas, foi descartada a divisão do curso de comunicação pelo pastor. Só faltou os responsáveis da Univille informarem o reitor Paulo Ivo. Sem saber das novas prioridades, Paulo Ivo cedeu uma entrevista no dia 25 de agosto à Revi, onde expôs suas antigas propostas.

Paulo Ivo Koehntopp apresentou um discurso contrário ao do pastor luterano, lembrando que faltava somente decidir a “existência física” do curso, o que considerou apenas um “detalhe”. “Transferir todos os cursos de uma só vez seria uma pancada”, disse o reitor, “por isso escolhemos como projeto piloto os cursos de Jornalismo e Publicidade”. Paulo Ivo explicou que Univille e Ielusc têm características particulares de gestão e isso seria debatido pelos professores de ambas as instituições, mas “o que tinha que ser discutido pela direção já foi discutido”. O reitor comentou que a Univille tem a possibilidade de criar e absorver cursos como os do Ielusc, mas com a parceria as instituições poderiam economizar esforços e recursos, ampliando suas áreas de abrangência. O curso de Comunicação Social, continuou Paulo Ivo, poderia ser transferido totalmente para o campus universitário, assim como a unidade do Bom Jesus Centro poderia passar a ser administrada pela Univille. Os planos do reitor eram de metas de curto prazo e uma delas dizia respeito ao vestibular de 2010, quando já se pretenderia oferecer o curso de Comunicação sob gestão da Univille: “essa é a vontade do Paulo Ivo”, concluiu, falando em terceira pessoa.

De acordo com Paulo Ivo (desatualizado) depois da transferência do curso de Comunicação, a pretensão da parceria era de passar a gestão de todos os cursos superiores do Bom Jesus para a Univille em 2011. Sobre o corpo docente, o reitor salientou que já havia professores dando aulas nas duas instituições e que talvez o único problema fosse o salário: a base de remuneração na Univille é um pouco menor, embora o número de benefícios seja maior – o que, na avaliação do reitor, atingiria os mesmos patamares de vencimento pagos pelo Ielusc. Desta maneira, além dos cursos, os professores também seriam remanejados para a universidade.


Marcus Vinícius Carvalheiro
Estudante do 4º semestre de Jornalismo e integrante do Diretório Acadêmico Cruz e Sousa (Dacs)

1 comentários:

Maikon K disse...

Parabéns ao Dacs em publicar a matéria.

Parabéns ao Marcus pela materia.

Uma dica ao DACS: sentar com o DCE da univille e com o CALHEV, pois as duas entidades poderão se organizarem com vcs, já que são temas pertinentes e o silêncio da univille e os desencontros são práticas correntes que o dce e o calhev enfrentam.

abraço e precisando estamos ai.
maikon k
www.vivonacidade.blogspot.com

7 de setembro de 2009 10:15

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